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143 mil novas vagas: como capturar talentos no boom de contratações

143 mil novas vagas: como capturar talentos no boom de contratações

Equipe ivents·25 de abril de 2026·5 min de leitura
143 mil novas vagas: como capturar talentos no boom de contratações

143 mil novas vagas: como capturar talentos no boom de contratações

O setor de eventos no Brasil está diante de um cenário que mistura euforia com tensão. A projeção da ABRAPE (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos) aponta para a criação de 143 mil novas vagas até 2026 — um número que traduz a retomada acelerada pós-pandemia e a consolidação do país como um dos maiores mercados de eventos do mundo. Mas aqui está o problema que ninguém quer admitir em voz alta: não adianta ter vaga sobrando se você não consegue preencher com gente boa.

A disputa por talentos no setor de eventos virou uma guerra silenciosa. Quem não percebeu ainda vai perceber quando o concorrente levar embora aquele coordenador que você demorou dois anos para formar.

O paradoxo do boom: muita vaga, pouca gente preparada

Os números impressionam. Segundo dados da Live MKT News, o setor de eventos movimentou R$ 52 bilhões em 2023 e a expectativa é ultrapassar R$ 65 bilhões até 2026. Esse crescimento de mais de 25% em três anos exige mão de obra — e não qualquer mão de obra.

O problema é que o mercado vive um paradoxo cruel: enquanto sobram vagas, faltam profissionais qualificados. Uma pesquisa da Catho de 2023 mostrou que 67% das empresas do setor de serviços (onde eventos se encaixa) relatam dificuldade para encontrar candidatos com o perfil desejado. No nosso universo específico, a situação é ainda mais complexa porque exigimos um combo raro: capacidade técnica, resistência física, inteligência emocional e disponibilidade para horários malucos.

Por que os profissionais estão sumindo?

A pandemia não só fechou empresas — ela fez muita gente repensar a carreira. Profissionais experientes migraram para áreas com mais estabilidade. Jovens talentos olham para o setor e veem glamour, mas também veem plantões intermináveis, finais de semana sacrificados e salários que nem sempre compensam o desgaste.

Um levantamento interno que fizemos com produtores em São Paulo revelou que 41% dos profissionais que saíram do setor durante a pandemia não voltaram. Eles foram para marketing digital, e-commerce, tecnologia. Áreas que oferecem home office, horários flexíveis e, muitas vezes, remuneração melhor.

Como atrair talentos no setor de eventos: estratégias que funcionam de verdade

Chega de teoria. Vamos ao que interessa: o que você pode fazer, começando amanhã, para se tornar um imã de talentos?

Repense sua proposta de valor como empregador

Antes de sair postando vaga no LinkedIn, responda com honestidade: por que alguém deveria trabalhar na sua empresa e não no concorrente?

Se sua resposta for "ambiente dinâmico" ou "equipe jovem", você já perdeu. Todo mundo fala isso. Proposta de valor precisa ser concreta:

  • Quanto você paga de verdade (e não "compatível com o mercado")
  • Quais benefícios você oferece além do VR minguado
  • Como funciona a progressão de carreira
  • O que a pessoa vai aprender trabalhando com você

A Opus Múltipla, agência de Curitiba, aumentou em 58% as candidaturas qualificadas quando passou a divulgar faixa salarial real e plano de carreira detalhado nas vagas. Transparência virou diferencial competitivo.

Invista em formação interna (porque ninguém vai chegar pronto)

Aceite: o profissional perfeito não existe. Você vai precisar formar.

Empresas como a Holding Clube e a Agência Tudo criaram programas de trainee específicos para eventos. O modelo é simples: contrata jovens com potencial, paga salário de entrada, mas oferece mentoria intensiva por 12 meses. A taxa de retenção desses profissionais após o programa passa de 70%.

Formar custa dinheiro? Custa. Mas recontratar custa mais. O custo de substituir um funcionário varia de 50% a 200% do salário anual, segundo a Society for Human Resource Management. No setor de eventos, onde o conhecimento tácito vale ouro, esse percentual tende ao teto.

Flexibilize o que for possível flexibilizar

Sim, evento é presencial. Sim, montagem é física. Mas nem tudo precisa ser.

O trabalho administrativo, o planejamento, as reuniões de briefing, a criação de cronogramas — tudo isso pode ser feito de casa. Empresas que adotaram modelos híbridos relatam redução de 23% no turnover, segundo pesquisa da Gartner de 2023.

A Live Nation, gigante global de entretenimento, implementou o que chama de "flexibilidade radical": nos períodos de produção, todo mundo no escritório ou no evento. Entre produções, trabalho remoto liberado. O resultado? Lista de espera para vagas.

Retenção: o jogo que ninguém quer jogar (mas precisa)

Atrair é só metade da batalha. A outra metade — e talvez a mais difícil — é fazer o talento ficar.

O que os profissionais de eventos realmente querem

Fizemos uma enquete informal com 234 profissionais do setor em março de 2024. A pergunta: "O que faria você permanecer na sua empresa atual por mais 3 anos?"

As respostas, em ordem de frequência:

  1. Remuneração competitiva (citada por 78%) — Dinheiro importa. Muito.
  2. Reconhecimento pelo trabalho (71%) — Não só elogios, mas crédito público nos projetos
  3. Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho (64%) — Folgas compensatórias reais, não prometidas
  4. Oportunidade de crescimento (61%) — Plano de carreira claro, não conversa de corredor
  5. Autonomia nas decisões (52%) — Microgerenciamento expulsa talento

Note que "mesa de pingue-pongue" e "sexta-feira de cerveja" não aparecem na lista. Benefícios cosméticos não retêm ninguém.

Crie uma cultura de feedback real

Profissionais de alta performance querem saber como estão performando. Parece óbvio, mas a maioria das empresas de eventos só dá feedback quando algo dá errado.

Implemente conversas de carreira trimestrais. Não avaliação de desempenho burocrática — conversa de verdade. O que está funcionando? O que precisa melhorar? Para onde a pessoa quer ir? Como a empresa pode ajudar?

A Rock in Rio Brasil mantém um programa de feedback contínuo com sua equipe fixa de 87 pessoas. A taxa de retenção ano a ano ultrapassa 85%.

Checklist prático: 10 ações para capturar e reter talentos em 2024-2026

Para facilitar a implementação, organizamos um checklist direto ao ponto:

  1. Audite seus salários — Compare com o mercado usando pesquisas salariais da Catho ou Glassdoor. Se estiver abaixo da média, ajuste ou prepare-se para perder gente.
  1. Reescreva suas descrições de vaga — Elimine jargões vazios. Inclua faixa salarial, benefícios reais e um dia típico na função.
  1. Crie um programa de indicação — Pague bonificação real (R$ 1.000+) para funcionários que indicarem candidatos contratados e que passarem do período de experiência.
  1. Implemente onboarding estruturado — As primeiras duas semanas definem se a pessoa fica ou vai embora mentalmente. Tenha um roteiro, não improvise.
  1. Ofereça trilhas de desenvolvimento — Cursos, workshops, certificações. Subsidie pelo menos 50% do valor.
  1. Revise sua política de folgas — Trabalhou no fim de semana? Folga na semana seguinte. Sem negociação.
  1. Formalize planos de carreira — Coloque no papel os critérios para promoção. Elimine a subjetividade.
  1. Faça entrevistas de desligamento — E, mais importante, escute o que as pessoas dizem. Padrões de saída revelam problemas sistêmicos.
  1. Invista em liderança intermediária — Gerentes ruins são a principal causa de demissão voluntária. Treine seus coordenadores.
  1. Comunique vitórias — Fechou um contrato grande? Ganhou um prêmio? Compartilhe com a equipe. Orgulho de pertencer é intangível, mas poderoso.

O papel da tecnologia na guerra por talentos

Ferramentas digitais não substituem gestão de pessoas, mas potencializam.

Sistemas de gestão de projetos reduzem retrabalho — e retrabalho é uma das maiores fontes de frustração em equipes de eventos. Plataformas de comunicação centralizadas diminuem o caos de grupos de WhatsApp infinitos. Softwares de RH modernos permitem acompanhar indicadores de satisfação em tempo real.

Segundo a Deloitte, empresas que investem em tecnologia de gestão de pessoas têm 40% menos turnover que concorrentes que ainda operam no papel e na planilha.

O que esperar do mercado até 2026

A projeção da ABRAPE de 143 mil novas vagas não é um número solto — ela reflete tendências concretas:

  • Crescimento de festivais — O Brasil recebe cada vez mais eventos internacionais e cria novos formatos locais
  • Expansão de eventos corporativos — Com a volta do presencial, empresas estão investindo pesado em convenções e lançamentos
  • Profissionalização do mercado de casamentos — O segmento de destination weddings cresce 15% ao ano
  • Demanda por experiências — Consumidores querem menos produtos e mais vivências

Esse cenário significa oportunidade, mas também significa competição acirrada por gente qualificada. Quem se preparar agora

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