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Crescimento de 81% no emprego: como montar equipe em mercado disputado

Crescimento de 81% no emprego: como montar equipe em mercado disputado

Equipe ivents·21 de maio de 2026·5 min de leitura
Crescimento de 81% no emprego: como montar equipe em mercado disputado

O setor de eventos brasileiro vive um paradoxo incômodo: nunca houve tanta demanda por profissionais — e nunca foi tão difícil encontrá-los. Os dados da ABRAPE (Associação Brasileira de Promotores de Eventos) e do Radar Econômico da ABRAJET-RS apontam um crescimento de 81% nas vagas formais do segmento entre 2022 e 2024. É um número que deveria ser motivo de comemoração. Na prática, porém, ele representa uma corrida por talentos que está inflacionando custos, atrasando projetos e obrigando produtores a repensar completamente a forma de montar equipe em um mercado cada vez mais disputado.

Se você produz eventos — sejam corporativos, casamentos, festivais ou feiras — provavelmente já sentiu isso na pele. Aquele coordenador de confiança que agora cobra 40% a mais. A dificuldade de achar técnicos de som disponíveis em fins de semana de alta temporada. A rotatividade absurda em funções operacionais. Não é impressão: é o novo normal de um setor que cresceu mais rápido do que conseguiu formar gente.

Este texto foi escrito para quem precisa de respostas práticas. Vamos dissecar o cenário atual, entender o que está por trás da escassez e — principalmente — apresentar estratégias testadas para atrair, treinar e reter profissionais sem comprometer a margem do negócio.

O que está por trás do boom de contratações

Para entender o problema, precisamos voltar um pouco no tempo. A pandemia dizimou o setor de eventos. Segundo levantamento da ABEOC Brasil, cerca de 97% das empresas do segmento suspenderam atividades em 2020. O êxodo foi brutal: técnicos migraram para instalações residenciais, coordenadores foram para o varejo, garçons viraram entregadores de app. Muitos não voltaram.

Quando a retomada veio — e veio com força a partir de 2022 — o setor se viu diante de um gargalo estrutural. A demanda explodiu, mas a mão de obra havia evaporado. O resultado foi previsível: quem ficou passou a escolher para quem trabalhar e a cobrar mais por isso.

Os números confirmam a pressão. Dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que o segmento de "artes, cultura, esporte e recreação" — que engloba eventos — teve saldo positivo de mais de 45 mil vagas formais só no primeiro semestre de 2024. A informalidade, que sempre foi alta no setor, também cresceu: estima-se que para cada vaga CLT existam três ou quatro freelancers disputando os mesmos eventos.

Por que a escassez de mão de obra em eventos é diferente

Antes que alguém diga "todo mundo está reclamando de falta de gente", vale fazer uma distinção importante. O setor de eventos tem características que agravam o problema:

Sazonalidade extrema. A maioria dos eventos acontece em fins de semana, feriados e alta temporada. Isso significa picos de demanda que nenhum quadro fixo consegue absorver.

Especialização fragmentada. Um evento de médio porte pode exigir 15 ou 20 especialidades diferentes: iluminação, sonorização, cenografia, catering, segurança, recepção, audiovisual, logística, limpeza, brigada de incêndio. Cada uma dessas áreas tem seu próprio mercado de talentos.

Ausência de formação institucional. Diferente de hotelaria ou gastronomia, que têm escolas técnicas consolidadas, a produção de eventos ainda é aprendida majoritariamente na prática. Isso limita a oferta de profissionais prontos.

Baixa previsibilidade. Muitos produtores não conseguem garantir volume constante de trabalho, o que afasta profissionais em busca de estabilidade.

A combinação desses fatores cria um cenário em que a disputa por bons profissionais se torna quase predatória — especialmente em datas concorridas.

Como montar equipe competitiva: estratégias que funcionam

Agora vamos ao que interessa. Se você está enfrentando dificuldade para recrutar e reter talentos, estas são as abordagens que têm dado resultado para produtoras de diferentes portes no Brasil.

1. Construa um núcleo fixo mínimo e uma rede de freelancers confiável

A tentação de manter estrutura enxuta é compreensível, mas ter ao menos um núcleo pequeno de profissionais-chave em regime fixo (CLT ou PJ recorrente) faz diferença enorme. Esse núcleo deve incluir:

  • Um coordenador de produção sênior
  • Um responsável por logística e fornecedores
  • Um profissional de atendimento ao cliente

Esses três perfis garantem continuidade, memória institucional e capacidade de treinar os freelancers que entram e saem conforme a demanda.

A rede de freelancers, por sua vez, precisa ser cultivada. Não basta ligar na véspera. Os melhores produtores do mercado mantêm relacionamento ativo com 30, 50, às vezes 100 profissionais autônomos — mesmo quando não há evento à vista. Isso significa:

  • Enviar briefing de datas com antecedência (mínimo 45 dias para eventos grandes)
  • Pagar em dia, sempre
  • Dar feedback construtivo após cada trabalho
  • Oferecer algum diferencial (transporte, alimentação de qualidade, ambiente respeitoso)

2. Invista em formação interna — mesmo que pareça "dar profissional para o concorrente"

Um dos maiores erros de produtoras brasileiras é não treinar equipe por medo de perder o investimento. A lógica parece fazer sentido, mas é míope.

Primeiro, porque profissional bem treinado entrega resultado melhor — e isso impacta diretamente a satisfação do cliente e a reputação da empresa. Segundo, porque a formação cria vínculo. Gente que aprende com você tende a priorizar você quando há conflito de agenda.

O treinamento não precisa ser caro. Algumas práticas acessíveis:

  • Debriefs estruturados após cada evento: 30 minutos reunindo a equipe para discutir o que funcionou e o que precisa melhorar.
  • Rodízio de funções: permite que assistentes aprendam novas habilidades e se tornem mais versáteis.
  • Parcerias com fornecedores: muitas empresas de audiovisual, iluminação e catering oferecem treinamentos gratuitos para equipes de produção.
  • Mentoria informal: conectar profissionais juniores com veteranos do setor, mesmo que de outras empresas.

3. Redefina o que você oferece além do cachê

Em mercado disputado, dinheiro é importante, mas não é tudo. Pesquisa da Trampos (plataforma de vagas criativas) indica que 67% dos profissionais do setor criativo consideram "ambiente de trabalho" e "possibilidade de aprendizado" tão importantes quanto remuneração.

O que isso significa na prática? Que você pode competir por talentos mesmo sem ser quem paga mais. Alguns diferenciais valorizados:

  • Clareza de escopo: profissionais odeiam eventos onde ninguém sabe quem faz o quê. Um bom briefing e cronograma claro já são vantagem competitiva.
  • Respeito ao tempo: eventos que terminam no horário previsto, sem "esticadas" não remuneradas, são lembrados.
  • Acesso a eventos de prestígio: trabalhar em projetos relevantes (festivais, marcas conhecidas, formatos inovadores) atrai gente boa mesmo com cachê médio.
  • Indicações e networking: apresentar bons profissionais a outros contratantes constrói lealdade.

4. Repense o modelo de contratação de funções operacionais

Para funções como recepção, limpeza, segurança e montagem, a terceirização via empresas especializadas pode ser mais eficiente do que a contratação direta de freelancers.

O motivo é simples: essas empresas já têm banco de profissionais treinados, cobrem faltas de última hora e assumem a burocracia trabalhista. O custo por hora pode ser ligeiramente maior, mas a previsibilidade e a redução de risco compensam.

O segredo está em escolher bem o parceiro. Critérios relevantes:

  • Histórico em eventos similares ao seu
  • Capacidade de escalar equipe em datas de pico
  • Supervisão própria durante o evento (não deixar a gestão inteiramente com você)
  • Política clara para substituições e no-shows

5. Use tecnologia para reduzir dependência de mão de obra

Parte da solução não está em contratar mais, mas em precisar de menos gente para entregar o mesmo resultado. Algumas frentes onde a tecnologia ajuda:

  • Check-in automatizado: totens de autoatendimento ou QR codes reduzem necessidade de recepcionistas.
  • Gestão de fornecedores centralizada: plataformas que concentram briefings, contratos e pagamentos diminuem trabalho administrativo.
  • Comunicação via apps: grupos organizados por evento evitam ruídos e reduzem tempo de coordenação.
  • Sinalização digital: painéis eletrônicos substituem equipes de orientação em eventos de grande porte.

Isso não significa eliminar pessoas — significa liberar pessoas para funções onde o toque humano realmente faz diferença.

O desafio da retenção: por que bons profissionais vão embora

Contratar é só metade da equação. Reter é onde muita produtora tropeça.

As razões mais comuns para perda de talentos no setor de eventos:

  1. Falta de previsibilidade financeira: freelancers priorizam quem garante volume constante de trabalho.
  2. Comunicação ruim: briefings incompletos, mudanças de última hora, falta de retorno após o evento.
  3. Desvalorização: profissionais que se sentem "peças descartáveis" migram na primeira oportunidade.
  4. Atraso de pagamento: parece óbvio, mas ainda é epidêmico no setor.
  5. Burnout: a intensidade dos eventos cobra preço. Quem não respeita limites

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