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Formaturas pós-pandemia: o que a geração Z espera de sua celebração

Formaturas pós-pandemia: o que a geração Z espera de sua celebração

Equipe ivents·23 de maio de 2026·5 min de leitura
Formaturas pós-pandemia: o que a geração Z espera de sua celebração

Formaturas pós-pandemia: o que a geração Z espera da celebração

As formaturas pós-pandemia não são apenas festas de conclusão de curso. Para a geração Z — aqueles nascidos entre 1997 e 2012 que atravessaram o ensino médio entre telas de Zoom e máscaras cirúrgicas — a celebração carrega um peso simbólico que turmas anteriores simplesmente não conheceram. São jovens que perderam bailes de formatura, viagens de intercâmbio, festas de quinze anos e até despedidas de amigos que mudaram de cidade sem um abraço. Agora, quando finalmente chegam à universidade ou ao mercado de trabalho, querem uma coisa: viver de verdade.

E isso muda tudo para quem produz eventos.

Segundo levantamento da Morenos Eventos sobre tendências para 2026, formandos que viveram a pandemia têm expectativas e referências estéticas completamente diferentes das turmas anteriores. Não se trata apenas de decoração ou playlist — é uma transformação na forma como essa geração entende o que significa celebrar.

Vamos entender o que está por trás disso e, principalmente, o que você pode fazer para entregar formaturas que essa galera realmente quer.

Quem é essa geração Z que está se formando agora

Antes de falar de buffet, DJ ou cenografia, precisamos entender quem são esses formandos.

A geração Z que conclui o ensino superior em 2025 e 2026 entrou na faculdade entre 2020 e 2022. Traduzindo: muitos começaram a graduação de pijama, assistindo aula no quarto, sem pisar no campus por meses — alguns, por anos. De acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva de 2023, 67% dos universitários brasileiros relataram ter desenvolvido algum nível de ansiedade ou sintomas depressivos durante o período de isolamento social.

Esses jovens não tiveram trote, não conheceram veteranos em festas de recepção, não viveram a experiência clássica de "vida universitária". E isso criou um fenômeno interessante: uma geração que valoriza demais os momentos presenciais porque sabe o que é ser privado deles.

Outro dado relevante: segundo o Data Favela em parceria com o Instituto Locomotiva (2024), jovens da geração Z gastam em média 23% mais com experiências (viagens, shows, eventos) do que com bens materiais, comparado a 15% dos millennials na mesma faixa etária. Eles preferem investir em memórias.

O que a geração Z realmente espera de uma formatura

Aqui é onde muitos produtores erram: aplicam a fórmula das formaturas de 2015 — coquetel, jantar, baile com banda cover — e esperam que funcione. Não funciona.

As expectativas mudaram em pelo menos cinco dimensões concretas.

Experiência acima de ostentação

A geração Z não quer parecer rica. Quer parecer autêntica.

Isso significa que aquele buffet com 47 opções que ninguém come perdeu apelo. O salão com lustres de cristal que parece casamento de novela também. O que eles querem são experiências que possam viver intensamente e, sim, compartilhar nas redes — mas de forma genuína.

Um exemplo prático: formaturas com estações gastronômicas interativas (onde o formando monta seu prato ou drink) têm mais engajamento do que jantares formais servidos à francesa. Segundo dados da ABEOC Brasil de 2024, 71% das comissões de formatura consultadas preferem formatos de coquetel volante ou food stations a jantares sentados tradicionais.

Personalização radical

Essa geração cresceu com algoritmos que conhecem seus gostos. Spotify Wrapped, feed do TikTok hipersegmentado, Netflix que sabe o que você quer assistir antes de você. Eles esperam o mesmo nível de personalização em tudo.

Na prática, isso se traduz em:

  • Playlists votadas pela turma (não impostas pelo DJ)
  • Opções de cardápio que contemplem restrições alimentares sem parecer "comida de hospital"
  • Momentos individualizados — não apenas o tradicional vídeo com fotos de bebê de todo mundo
  • Dress code flexível ou temático (muitas turmas estão abandonando o "traje social" obrigatório)

Conteúdo para redes como parte do evento

Não é sobre contratar um fotógrafo. É sobre criar momentos fotografáveis.

A geração Z pensa em termos de conteúdo. Um levantamento da Eventbrite de 2023 apontou que 82% dos jovens entre 18 e 25 anos consideram "instagramabilidade" do espaço um fator decisivo na escolha de eventos. Isso não significa encher o salão de neon e ring lights. Significa pensar em:

  • Cenografias que funcionam como fundo de foto
  • Iluminação que favorece câmeras de celular (luz quente, sem contraluz agressivo)
  • Momentos "compartilháveis" ao longo da noite (não só na entrada)
  • QR codes para acesso imediato às fotos profissionais

Sustentabilidade que se vê

A geração Z é a mais ambientalmente consciente da história, segundo múltiplos estudos globais. No Brasil, pesquisa da Opinion Box de 2024 indicou que 64% dos jovens entre 18 e 24 anos deixariam de consumir uma marca por questões ambientais.

Para formaturas, isso significa:

  • Convites físicos perderam espaço (e não só pelo custo)
  • Decorações descartáveis geram críticas
  • Desperdício de comida é mal visto
  • Copos e canudos plásticos são inaceitáveis para muitas turmas

Produtores que oferecem opções sustentáveis — e comunicam isso de forma transparente — ganham pontos reais na negociação com comissões.

Inclusão como premissa, não como favor

Formandos da geração Z cresceram em um ambiente escolar onde diversidade é pauta constante. Eles esperam que eventos reflitam isso naturalmente.

Na prática:

  • Banheiros gender-neutral ou comunicação clara sobre acesso
  • Acessibilidade física não como improviso, mas como critério de escolha do espaço
  • Cardápios que contemplem diferentes culturas e restrições sem segregar
  • Playlist diversa (não só sertanejo universitário ou funk — a turma é plural)

Como produtores podem adaptar suas ofertas

Chega de diagnóstico. Vamos ao que interessa: como transformar esse entendimento em entregas concretas.

Repense o formato do evento

O modelo tradicional de formatura — coquetel de recepção, jantar sentado, cerimônia de colação simbólica, baile — está sendo questionado. Muitas turmas preferem formatos alternativos:

  1. Festa única sem jantar formal: coquetel estendido com estações de comida, cerimônia breve e pista de dança a noite toda
  2. Experiências fragmentadas: jantar íntimo em um dia, festa em outro, às vezes com semanas de diferença
  3. Formaturas temáticas: desde anos 80 até festa à fantasia, a turma escolhe um conceito e tudo gira em torno dele
  4. Day parties: sim, formaturas durante o dia, especialmente para turmas de áreas como saúde e engenharia, que passaram anos em plantões e estágios noturnos

Produtores que oferecem apenas o pacote clássico estão perdendo contratos para concorrentes mais flexíveis.

Invista em tecnologia acessível

Não precisa de holografia ou metaverso. A tecnologia que a geração Z espera é simples e funcional:

  • Totens de foto com envio instantâneo por WhatsApp: cabines tradicionais que imprimem foto física estão perdendo espaço para soluções digitais
  • Aplicativo ou site da turma: com programação, mapa do evento, cardápio, playlist e chat
  • Transmissão ao vivo de momentos-chave: para familiares que não puderam comparecer
  • Pagamento integrado: se houver open bar parcial ou serviços extras, ninguém quer mexer com dinheiro ou maquininha

De acordo com pesquisa da Abrape (Associação Brasileira de Promotores de Eventos), 58% das formaturas universitárias em 2024 já utilizaram algum tipo de aplicativo ou plataforma digital integrada ao evento.

Crie pacotes modulares

A lógica do "pacote fechado" irrita essa geração. Eles querem montar a própria experiência.

Uma estrutura que funciona:

  • Base obrigatória: espaço + infraestrutura básica (som, luz, segurança)
  • Módulos opcionais: buffet (com 3-4 opções de estilo), bebidas (open bar completo, parcial ou consumo), decoração (básica, intermediária, premium), entretenimento (DJ, banda, atrações especiais)
  • Add-ons individuais: upgrades que formandos podem contratar individualmente (mesa VIP, welcome drink especial, etc.)

Essa flexibilidade também facilita a vida das comissões de formatura, que frequentemente lidam com orçamentos apertados e turmas com realidades financeiras diversas.

Treine sua equipe para o perfil do cliente

Comissões de formatura da geração Z se comunicam de forma diferente:

  • Preferem WhatsApp a e-mail
  • Esperam respostas rápidas (o conceito de "horário comercial" é difuso para eles)
  • Pesquisam muito antes de entrar em contato (já chegam informados)
  • Valorizam transparência sobre preços desde o início
  • Detestam pressão de vendas ou táticas de escassez artificial

Vendedores que tratam comissões de formatura como "crianças que não entendem de evento" perdem o contrato. Esses jovens sabem o que querem e têm acesso a informação suficiente para comparar.

Quanto custa uma formatura para a geração Z

Vamos falar de dinheiro, porque é o que define se o evento acontece ou não.

Segundo dados compilados pela Serasa em parceria com a Opinion Box (2024), o ticket médio de formatura universitária no Brasil gira em torno de R$ 2.800 a R$

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